29 de abril de 2008

Linguagem e Neurociências: Paul Broca

Em 1861, ainda influenciado pelo médico Boulliaud e o movimento frenologista, Pierre Paul Broca (1824-1880), neurologista francês, acreditava no princípio da localização, realizando muitas pesquisas com seus pacientes.

No ano de 1863, Broca publica um artigo com pesquisas de oito pacientes, nos quais a linguagem estaria comprometida por lesão no lobo frontal do hemisfério esquerdo. Já em 1864, devido muitos casos parecidos, juntamente com fala não comprometida por lesões no hemisfério direito, fez com que a expressão da linguagem fosse designada ao hemisfério esquerdo.


Broca em um de seus trabalhos, estudou o cérebro de um paciente que era incapaz de falar, que só conseguia dizer as palavras “tan tan”. Este paciente não podia escrever, mas indicava onde era sua dificuldade através de gestos.
Outro paciente chamado Lelong, não lia nem escrevia, porém comunicava-se por gestos. Após a morte de ambos pacientes, Broca verificou que no cérebro do primeiro havia uma atrofia da primeira circunvolução frontal esquerda. Além disso, ambos os pacientes apresentavam uma perda na terceira circunvolução frontal esquerda.


A partir dos casos que Broca atendeu, pôde concluir que o centro do controle da fala estaria situado na parte posterior da terceira circunvolução frontal. Esta parte do cérebro se tornou conhecida como área de Broca (ver figura abaixo), que é responsável pelo centro da fala.

Sujeitos com lesão nesta área apresentam perda da expressão da linguagem, o que denominamos de afasia de Broca (demonstrado no vídeo do YouTube).



Para saber mais:

Andrade, V.M.; Santos, F.H. E Bueno, O.F. Neuropsicologia Hoje. São Paulo: Artes Médicas, 2004.

Bear, M.F.; Connors, B.W. e Paradiso, M.A. Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre: Artmed, 2002.


Imagem:

http://faculty.washington.edu/chudler/gif/broca.jpg

Um comentário:

Pedro Gabriel disse...

Bom artigo...eu tb sou Mestrando pela Universidade de Sevilla na área de Neuropsicologia Clínica.
Seria interessante trocar algumas opiniões em relação às Neurociencias...

Cumprimentos,
Pedro